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NOSSA CIDADE / História do Município

História do Município

PERÍODO 1500 – 1820 As únicas informações concisas sobre o início da colonização do litoral paranaense devem-se a Vieira dos Santos (1850), segundo o qual os primeiros povoadores da Baía de Paranaguá vieram de Cananéia (transformada em vila em 1587) através de pequenas embarcações pelo Varadouro Velho, chegando até Superagui. A expedição de Gonçalo Coelho, de 1501, havia deixado portugueses e castelhanos na região de Cananéia, que logo começaram a conviver com os índios ali existentes, os Carijós, e a explorar as áreas vizinhas (provavelmente bem conhecida pelos índios). Supõe-se que estes europeus se miscigenaram com os índios, pois até a chegada de Martim Afonso de Souza, o primeiro colonizador oficial em 1531, “bem poderia haver para mais de 100 pessoas mestiças, entre filhos e netos que aqueles colonos ali propagaram” (Vieira dos Santos1850). A ocupação inicial do litoral paranaense ocorreu na Ilha da Cotinga na Baía de Paranaguá, no lado voltado para a Ilha Rasa da Cotinga (chefiados por Domingos Gonçalves Peneda). Índios também vindos de Cananéia serviram de intérpretes entre os europeus e os povos que viviam nessa região.

PERÍODO 1820 – 1950 A ligação entre Paranaguá e demais localidades ao sul provavelmente era efetuada através de barcos até Pontal do Sul, seguindo-se de carro de boi pela praia até Matinhos, como descrito pelo naturalista francês August de Saint-Hilaire (1978) em 1820:“Partimos de Paranaguá no dia 3 de abril, em duas canoas, uma com dois remadores e a outra com três. Depois de deixarmos o Rio de Paranaguá (Itiberê, N.A.), entramos num canal que segue mais ou menos na direção do sul da baía e é limitado de um lado pela terra firme e do outro por uma série de ilhas. Em breve perdemos de vista a cidade. Ao longe avistávamos a Serra coroada de nuvens, que passam céleres, ora deixando à mostra os picos, ora ocultando-os.Nossas canoas avançavam velozmente, deixamos para trás a parte montanhosa da Ilha da Cotinga e fomos costeando a sua extremidade que dá para o mar, onde as terras são baixas e cobertas por mangues. Após essa ilha vem a Ilha Rasa, plana, como o seu nome indica. A Ilha do Mel, que vem em seguida, avança até a entrada da baía. É na ponta dessa ilha que foi construído o fortim que defende a barra. À medida que avançamos, o canal de navegação se alarga. Assim como a Ilha Rasa e a Ilha do Mel, a terra firme é orlada por mangues, mas se vêem nelas, de vez em quando, quase à beira da água, pequenos sítios cobertos de telhas, diante dos quais se acham várias canoas.A ponta de terra sobre a qual já disse algumas palavras, que é chamada de Pontal, foi o lugar onde desembarcamos. Fui recebido por um cabo de milícia que comandava um destacamento acantonado nas imediações. Esse homem recebera ordem de cuidar para que chegassem a tempo as carroças que iriam levar a mim e ao meu pessoal a Caiobá. Todos foram pontuais. As carroças pertenciam a alguns fazendeiros das vizinhanças, eram grandes e puxadas por duas juntas de bois, sendo cobertas por um trançado feito de varas de bambu sobre o qual havim sido colocadas algumas folhas de bananeira amarradas em cipó.Não havia em Pontal nem casas, nem vegetação; nada mais existia ali a não ser areia pura. Logo que desembarcamos acendemos um fogo para cozinhar o feijão e o arroz, que juntamente com água e farinha iriam constituir o nosso jantar. A bagagem foi colocada nos carros-de-boi, e quando partimos o sol já havia se posto fazia muito tempo. Os moradores do lugar têm o hábito de viajar à noite, beirando o mar, porque os bois andam muito mais depressa no escuro do que à claridade do dia.Instalei-me com Laruotte em um dos carros-de-boi, José e Firmiano subiram num outro e Manuel acomodou-se no terceiro. Laruotte pusera uma esteira no chão e estendera sobre ela um cobertor e o meu poncho. Deitei-me, e em breve o marulho das ondas me fez adormecer, mas acordava de vez em quando e percebia, à luz do luar, que seguíamos por uma praia de areia pura, com as ondas vindo lamber de vez em quando as rodas dos carros.”

Loureiro Fernandes (1946/1947) deixou um importante relato quando acompanhou o desenvolver da construção da Estrada da Praia, descrevendo a geografia da planície de Praia de Leste. Descreveu os traços geológicos fundamentais, os sambaquis e os povos que contribuíram para a formação do homem caboclo litorâneo, no caso os brancos, os índios e os negros, sendo que para este autor a contribuição negra foi insignificante. Em seu trabalho, Loureiro Fernandes fotografou a praia, onde podiam ser constatadas a presença do gado, introduzido pelos europeus, e habitações na praia visando a pesca, cujo aspecto revela que a contribuição indígena perdurou por muitos séculos

DE 1950 ATÉ OS DIAS ATUAIS Em 20/01/1951 o Governo do Estado doou ao município de Paranaguá uma área de 43.382.000m2, que foi repassada à Empresa Balneária Pontal do Sul em 01/02/1951 (mantendo-a até o presente). Na época foi efetuado um planejamento geral da área, delimitando-se as quadras e o arruamento. À medida que o tempo passou tal plano não foi cumprido, tendo o crescimento urbano seguido de forma desordenada. Ruas do projeto original foram transformadas em cursos d’água para saneamento e navegação, assim como vários trechos do único braço de mar que havia no começo da ocupação no Balneário Pontal do Sul (Rio Perequê) foi modificado. Realizou-se a abertura do primeiro loteamento em Pontal do Sul em 07/04/1951, envolvendo uma área de 55.895.100m2, indenizando-se a população local com a delimitação de seus lotes. Problemas com posses ilegais e com os moradores locais foram comuns desde a implantação do balneário, perdurando até os dias atuais. A especulação imobiliária também fez com que pequenos núcleos de moradores migrassem para áreas mais distantes da praia, à medida em que o núcleo urbano foi se formando e as propriedades valorizando. A partir de 1980 implantou-se um canteiro industrial na porção norte do Balneário Pontal do Sul, na área conhecida como Ponta do Poço, formado por três empresas construtoras de plataformas continentais para a exploração do petróleo (FEM, TECHINT e TENENGE). Durante alguns anos o canteiro industrial atraiu trabalhadores de muitos estados, tendo atingido 3.000 operários no início daquela década. Posteriormente estas empresas deixaram de construir plataformas na região da Ponta do Poço, cujos funcionários foram transferidos para outros canteiros ou acabaram permanecendo em Pontal do Sul, sem novas opções de emprego. Em 1980 também foi implementado no Balneário Pontal do Sul o Centro de Biologia Marinha (CBM), atual Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná, com o objetivo de desenvolver pesquisas na área de oceanografia. A partir de 1987 a população local começou a reivindicar a emancipação política das praias do município de Paranaguá para formar um novo município, chamado Pontal do Paraná. A criação do município ocorreu em outubro de 1996 após a aprovação na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná e conseqüente eleição de prefeito e vereadores, tendo-se implantando a sede administrativa em Praia de Leste (Rocha1997).

Anexo

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