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  • ENTRALHE DE REDE, UMA ARTE CAIÇARA DE PAI PARA FILHO

    Sexta-feira, 12 de agosto de 2022

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    Luiz Michelin Junior - Imprensa


    A arte do entralhe da rede de pesca é uma tradição mais do que secular, uma arte enraizada na cultura caiçara, que passa de pai para filho há muitas gerações em Pontal do Paraná.

     

    O entralhe é a “costura” feita para se montar uma grande rede de pesca, é ele que determina a abertura que se deseja dar as malhas da rede, de acordo com o peixe que vai se pescar.

     

    Antigos pescadores caiçaras chamam de “pano” a rede como um todo, ou seja, sua malha de nylon, que vem de fábrica em forma de rolo. Dependendo do tamanho que se quer a rede para pesca ela vai sendo desenrolada e entralhada.

     

    MAS COMO É FEITO O ENTRALHE?

     

    Duas cordas são amarradas, geralmente entre uma canoa e outra na beira da praia. Uma delas será a corda que vai fazer a suspensão na superfície, nela são inseridos isopores redondos para que fique boiando na lâmina d’água.

     

    Na segunda corda são colocadas as chumbadas, para que ela afunde e forme um “paredão”. A parte de cima dá a estrutura para o pescador “fechar” o cardume dos peixes.

     

    Ligando as duas cordas vai o pano, ou seja, a malha da rede, que ficará aberta dentro d’água, formando o paredão que é onde o peixe ficará preso.

     

    Uma pessoa bate na água para assustar os peixes, os quais correm para paredão e ficam enroscados na rede.

     

    Tanto a corda do chumbo, quanto a corda de superfície, são chamadas de “tralha”, daí o nome “entralhar”, atividade de colocar o chumbo e a boia no pano da rede no momento da sua fabricação. As ferramentas utilizadas no ofício de fabricação e remendo de rede são: uma faca pequena e amolada, uma pedra de limar; agulhas especiais de remendar rede de pesca, tesoura e carretel de nylon.

     

    REMENDO

     

    Outra arte muita antiga feita pelos caiçaras da pesca é o remendo das redes. Os cortes podem ser causados por peixes, ganchos de peixe, rochas pontiagudas ou pela hélice do motor.

     

    Ela se embaraçar também provoca danos e rasgos. Conserta a rede de pesca rasgada depende inteiramente da extensão do corte. A tarefa pode exigir uma forma simples e metódica de amarração ou grandes habilidades e técnicas em costura.

     

    José Tavares (conhecido carinhosamente como Zeca), tem 68 anos é pescador e nasceu em Pontal do Paraná.

     

    Em entrevista exclusiva concedida a Imprensa da Prefeitura de Pontal do Paraná ele nos conta sua história na pesca e fala sobre o entralhe e o remendo das redes, uma arte que ele domina e aprendeu com seus antepassados:

     

    “Comecei a pescar com 6 anos, aprendi com meu pai e com meu avô, naquela época era no remo, não tinha motor, a canoa era de madeira, uma vida muito dura, muitos parentes meus faleceram, como o meu tio, o irmão do meu pai e tive um primo que faleceu afogado também. Hoje as coisas estão mais tranquilas, nos movimentamos com mais rapidez, por termos o motor.

     

    Eu fiz faculdade, um concurso, fiquei 25 anos fora trabalhando e retornei para Pontal para fazer o que amo, que é pescar, comprei barco, motor, redes e vivo da pesca, estou direto no mar.

     

    Eu entralho rede e faço remendo desde criança, também aprendi com a minha família, assim como muitos pescadores que eu conheço.

     

    Quando o peixe parte a rede, ou ela engata em algum lugar, na hélice do motor por exemplo, então cortamos ela e depois refazemos a malha da rede com o fio de nylon, para ela ficar perfeita de novo para a pesca. Tem pessoas que tem muita experiência nisso. As vezes vemos uma rede com um buraco enorme e nos perguntamos se ela tem conserto, te digo que sim. Muitos Caiçaras que estão faz tempo na lida da pesca sabem consertar.

     

    Tem uma parte interessante nessa história, que chamamos de “resguardo”, quando é um buraco muito grande que foi feito na rede nós contamos as malhas que foram arrebentadas e recortamos uma outra rede com este número de malhas e remendamos no meio para fechar o buraco que existia.

     

    Toda rede pode ser entralhada, o que muda é a malha (espessura e medida da rede). Porque tem peixe que vem a “rolo” como chamamos, pois eles são menores, a malha precisa ser menor e pode ser mais fina. Mas tem peixes que precisamos “malhar” (eles prendem na malha), por serem maiores, como a Cavala e a Tainha por exemplo.

     

    O camarão por exemplo, já é outro tipo de rede, de entralhe e outra confecção de material, pois a pesca dele é tracionada pelo motor”, explica o seu Zeca.